Ninguém precisa correr para ser vacinado. Nem sair matando os macacos. A população da área de risco já foi imunizada”. São frases da diretora da Diretoria da Vigilância Epidemiológica (Divep), Alcina Andrade, ontem, durante uma entrevista coletiva realizada no Laboratório Central do Estado (Lacen), para explicar as ações implantadas pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) em relação ao combate à febre amarela. Em janeiro, um macaco morreu vítima da doença na Região Metropolitana de Salvador (RMS). “Fizemos a cobertura vacinal na área próximas onde ocorreu o caso”, disse a superintendente da Sesab, Lorene Pinto. Até agora não se sabe de outro primata não-humano vítima da doença. Amostras de sangue do animal foram enviadas para o Instituto Evandro Chagas, no Pará – centro de referência nesses casos – onde puderam realizar uma cadeia de exames sobre as causas da morte, entre eles a raiva – que é uma doença letal. “Como a Bahia não era prioridade o resultado saiu apenas em junho, sendo constada a morte por febre amarela”, explicou a coordenadora de doenças de transmissão vetoriais da Divep, Jesuína Castro.Segundo ela, a partir daí, os casos de morte de macacos na Bahia que são levados para análise no instituto passaram a ser prioridades. Desde janeiro a investigação em relação aos óbitos dos primatas não-humanos está sendo investigada. “Historicamente sempre se notificou a morte desses animais”, destacou a superintendente da Sesab. Ainda de acordo com ela, a análise faz parte da rotina de procedimentos para tais casos. Intensificadas quando o resultado deu positivo para a febre amarela. Até então o último caso de febre amarela silvestre em humanos – mesma ocorrida em janeiro no macaco – constatada na Bahia aconteceu na região do extremo-oeste no ano 2000. Desde ontem, a Sesab, em parceria com a Divep, Ministério as Saúde, Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biologia, estão realizando um inquérito na área onde o primata foi encontrado. Municípios da proximidade como: Simões Filho, Lauro de Freitas e Camaçari, também estão sendo analisados. O intuito é verificar se ainda existe a transmissão em macacos ou se foi um evento isolado. Os profissionais colhem sangue dos macacos encontrados nas proximidades, para análise. Existem dois tipos da febre amarela, o silvestre e o urbano. Os hospedeiros do primeiro são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, de hábitos estritamente silvestres. No segundo é o Aedes Aegypti, mesmo responsável pela transmissão da dengue. Porém, é importante salientar que o último caso de febre amarela urbana constado no Brasil aconteceu no ano de 1942. Desde o inicio do ano, foram confirmados 42 casos da febre amarela silvestres no Brasil, nos estados de: Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Pará e Minas Gerais. As pessoas que pretendem viajar para os locais de risco, onde já houve casos em humanos, deve ser vacinada. De acordo com a superintendente da Sesab, já foi implantada no calendário de vacinação infantil a vacina contra a febre amarela. É importante alertar a população para que, ao identificar um macaco morto ou doente, entre em contato com a Secretaria de Saúde do seu município para que o órgão tome as devidas providencias entrando em contato com os responsáveis por colher o material para análise. O intuito é investigar a causa da morte do animal.
Os sintomas da doença
Os principais sintomas da febre amarela são: mal-estar, febre alta, calafrios, dor muscular forte, dor de cabeça, cansaço, calafrios, vômitos e diarréia, que aparecem de três a seis dias. Se não for tratado a tempo e adequadamente, o paciente pode evoluir para óbito. Municípios baianos localizados na área de transição – Alcobaça, Angical, Baianópolis, Barra, Barreiras, Belmonte, Bom Jesus da Lapa, Brejolândia, Buritirama, Campo Alegre de Lourdes, Canápolis, Canavieiras, Cândido Sales, Caravelas, Carinhanha, Casa Nova, Catolândia, Cocos, Cordeiros, Coribe, Correntina, Cotegipe, Cristópolis, Encruzilhada, Eunápolis, Feira da Mata, Formosa do Rio Preto, Guaratinga, Ibiraporã, Itagimirim, Itabela, Itanhém, Itapebí, Itarantim, Iuiú, Jaborandi, Jucuruçu, Lajedão, Luiz Eduardo Magalhães, Macarani, Maiquinique, Malhada, Mansidão, Mascote, Medeiros Neto, Mortugaba, Mucuri, Muquém de São Francisco, Nova Viçosa, Pilão Arcado, Piripá, Porto Seguro, Potiraguá, Prado, Remanso, Riachão das Neves, Santa Cruz Cabrália, Santa Maria da Vitória, Santa Rita de Cássia ,Santana, São Desidério , São Félix do Coribe, Sebastião Laranjeiras, Serra do Ramalho, Serra Dourada, Sítio do Mato, Tabocas do Brejo Velho, Teixeira de Freitas, Tremedal, Urandi, Vereda, Vitória da Conquista e Wanderley. (Por Odilia Martins)
Animais sob investigação
Tribuna da Bahia – Quantos animais foram encontrados mortos com suspeita de febre amarela? Lorene Pinto – Historicamente sempre se notificou a morte desses animais, porém, apenas em uma foi constatada como causa a febre amarela. TB – Qual o motivo pelo qual a constatação da doença demorou tanto? De janeiro, quando o animal morreu até maio, mês que saiu o resultado? LP – A Bahia não era prioridade, depois da confirmação desse caso o resultado está sendo mais rápido, pois agora o nosso Estado passa na frente. TB – Quais as medidas tomadas depois desse primeiro caso? LP – Vacinação em todas as pessoas das áreas próximas. Além de inquérito com investigação epidemiológica nos macacos, para verificar se existem outros animais infectados. Implantamos também a vigilância entomológica com capturas de mosquitos para pesquisa. TB – Qual a validade da vacina? Qual foi o último caso de febre amarela silvestre registrado em humanos na Bahia? LP- 10 anos. Em 2000, na região do extremo-oeste. Toda a população foi vacinada. TB – Quem precisa tomar a vacina? LP – Aqui na Bahia, as pessoas residentes nas áreas de transição – onde o animal foi encontrado e proximidades – já estão imunizadas. Quem pretender ir para os estados onde existem índices freqüentes de febre amarela em humanos – Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Pará e Minas Gerais – deve ser vacinado 10 dias antes da viagem.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
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