Colega teria jogado gasolina e ateado fogo em menina na Zona Oeste.Pai conta que adolescente passou 66 dias na UTI do Hospital das Clínicas.A jovem de 15 anos queimada por uma colega de escola em março deste ano na Zona Oeste de São Paulo voltou para casa depois de 93 dias de internação no Hospital das Clínicas, na mesma região da cidade. De acordo com o pai dela, o vendedor Samuel Menequelli, de 43 anos, ela deixou o hospital no dia 12 de junho. A adolescente chegou a passar 66 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O caso aconteceu em março, após uma suposta discussão entre a adolescente – então com 14 anos – e uma estudante de 16 anos. De acordo com a polícia, a briga ocorreu na Rua Ângelo Aparecido dos Santos, no Jardim Arpoador, próximo à escola em que ambas as garotas estudavam. A menina de 16 anos teria jogado gasolina e ateado fogo na outra adolescente, que teve 22% do corpo queimado.
O pai disse que a garota começou há 15 dias a fisioterapia. Os ombros e os braços foram os mais atingidos pelo fogo. Com o tratamento, ela também começa a voltar a andar. “Ela está começando a se recuperar, a dar uns passinhos. Devagar, mas já está indo. Não precisa mais da cadeira de rodas, está usando uma malha especial”, afirmou.
A jovem tem dificuldades para movimentar principalmente o braço e a mão esquerdos. O pai conta que ela precisou fazer enxertos – no total, foram seis cirurgias. A adolescente cursava o 1º ano do ensino médio e não deve voltar a estudar este ano. “Dificilmente ela volta para a escola, talvez vá ter aula em casa, para não perder tudo.”
A família já decidiu que ela não estudará mais na escola onde conheceu a agressora. Mas pai e filha ainda definem em qual instituição de ensino matricular a jovem. “Para lá ela não volta mais. Ainda não decidi [a nova escola], a gente está conversando a respeito”, disse o vendedor.
Enquanto isso, a jovem se concentra na fisioterapia e em sua recuperação. “Ela está limitada em algumas coisas, ela dorme um pouco mais, fica na internet, vê televisão, as amigas vão em casa”, comentou o pai. As saídas precisam ser controladas já que ela não pode, por exemplo, ficar muito exposta ao sol.
Sobre o caso, o pai afirma que a adolescente mantém a versão desde o primeiro dia. A jovem contou que uma amiga havia brigado com a outra adolescente dias antes da agressão. “Não foi ela que brigou, foi uma amiga dela. Tanto que ela falou que não tinha nada a ver com isso”, contou o pai. Segundo o vendedor, a filha não conversa muito sobre o assunto. “Ela comentou logo no começo, conversamos um pouco a respeito, depois deixamos um pouco de lado.”
O caso
De acordo com o boletim de ocorrência registrado na época, a adolescente então com 14 anos saiu do colégio no dia 10 de março acompanhada por uma amiga de 15 anos, quando encontrou na rua a outra estudante. Ao passar por ela, segundo a polícia, a menina de 14 perguntou por que a outra garota a estava olhando "feio". Foi quando a adolescente de 16 anos retirou da mochila a garrafinha e jogou o conteúdo, que seria gasolina. As duas partiram para a agressão e, durante o tumulto, chamas se formaram no corpo da estudante molhada pelo combustível.
Pessoas que passavam pelo local ajudaram a garota a apagar o fogo. A estudante de 16 anos tentou fugir, mas ainda foi parada pela menina de 15 anos, que acompanhava a de 14. A jovem teria retirado da mochila um compasso e ferido o pescoço e o ombro da outra menina. A estudante que foi agredida com o compasso prestou depoimento no 75º Distrito Policial, no Jardim Arpoador.
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