quinta-feira, 10 de julho de 2008

Bahia muda tendência migratória e tem saldo positivo

Em um ano, houve a entrada de 33 mil pessoas a mais que o número dos que saíram para outros estados.Bolsa Família, fábrica da Ford, explosão dos grãos no Oeste e a perda do atrativo histórico de São Paulo como maior receptora de mão-de-obra são algumas das explicações para a nova realidade baiana: enquanto mais pessoas de fora decidem apostar a vida no estado, os da terra querem ficar, crescer e vencer onde nasceram. Dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE referentes a 2006 revelam que, pela primeira vez em décadas, é maior o número de cidadãos que chegam ao estado do que o de baianos decididos a migrar. O saldo positivo é de 33 mil pessoas.
Ainda segunda a pesquisa, a tendência de diminuição do fluxo de saída e a intensificação no ingresso de pessoas na Bahia é registrada entre 1995 e 2000, quando o saldo migratório do estado foi de -267 mil pessoas. Entre 2001 e 2005 o número diminuiu para -39 mil pessoas, até chegar aos números positivos de 2006. “Historicamente, a Bahia é expulsora de população por migração, mas esse processo começou a arrefecer a partir da década de 80”, afirma José Ribeiro Guimarães, professor de introdução à demografia, disciplina dos cursos de estatística, ciências sociais e economia da Ufba.
As informações mostram, também, que o bom filho à casa torna. Sem as mesmas boas opções em outros destinos como a capital paulista e hoje com melhores condições de vida na Bahia, a solução boa e barata é retornar para a cidade natal. “Hoje há uma maior exigência de escolaridade e qualificação para trabalhar em São Paulo, é uma realidade diferente da década de 60, quando muitos baianos foram para trabalhar na construção civil”, afirma Guimarães, que é também diretor de pesquisas da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). “Foram eliminados postos e passou a se investir mais em tecnologia”, completa.
A reversão do processo migratório também possui outras razões, de acordo com o especialista. O desenvolvimento da economia no estado, a exemplo do sucesso da fruticultura no baixo médio São Francisco, a exploração da celulose no extremo sul, o algodão e a soja na região de Barreiras, empreendimentos na região metropolitana de Salvador e, ainda, o crescimento do turismo em regiões como a Chapada Diamantina, prendem o baiano na terra e atraem outros brasileiros. “Este processo também provoca o retorno das pessoas”, afirma.
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Programas seguram a população no estado
Dona da maior população rural do Brasil, com 4,5 milhões de pessoas – e, portanto, de baixa renda –, o estado se vale de iniciativas federais de sucesso como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para segurar os baianos, segundo o professor José Ribeiro, apontando o fato como outra hipótese para a alteração do perfil da população baiana.
Também a transferência de renda, com o Bolsa Família, ainda de acordo com o especialista, retém a população tradicionalmente acostumada a emigrar. De acordo com dados oficiais, em dezembro do ano passado, aproximadamente 1,4 milhão de pessoas participavam do programa na Bahia. “Os recursos repassados durante o ano perfaziam o expressivo montante de R$1,2 bilhão”, afirma o professor José Ribeiro, também membro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais.
TENDÊNCIA DA MIGRAÇÃO NA BAHIA
1995-2000: -267 mil pessoas 2001-2005: -39 mil pessoas 2006: +33 mil pessoas

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