quinta-feira, 10 de julho de 2008

Mamonas tomam as telas


Fenômeno da década de 90, o grupo é sucesso na internet, vira especial da Globo e filme da Record.

Não há discussão: em termos de escracho, a música brasileira nunca viu um fenômeno mais meteórico que os Mamonas Assassinas. Em oito meses, Dinho, Sérgio, Júlio, Samuel e Bento saíram da classe média baixa paulista para serem os “pitchulos” da gravadora EMI. Venderam mais até do que o antológico Radio pirata, do grupo Roupa Nova. Foram cerca de 2,3 milhões de cópias de seu álbum de estréia, homônimo ao grupo. Os versos dos Mamonas eram tão non sense e tinham tamanho alcance popular que, mesmo 12 anos após o fim da banda, é difícil encontrar alguém que desconhece por completo sucessos como Robocop gay, Brasília amarela, Vira vira, e mais meia dúzia de hits inacreditáveis.
Outra coisa impossível de esquecer é que, oito meses depois de os Mamonas estourarem nacionalmente, ainda no frenesi da fama, a pequena aeronave que partia de Guarulhos para Brasília fez uma parada definitiva na Serra da Cantareira. O choque contra a montanha seria suficiente para vitimar fatalmente todos os integrantes do grupo.
A comoção foi geral e as fotos com destroços do avião e dos corpos se espalharam que nem vírus pela internet. Mal se podia acreditar na aceitação popular desses cinco homens feitos, que vestiam cueca por cima da calça, e cantavam versos como: “O meu bumbum era flácido/ Mas esse assunto é tão místico/ Devido ao ato cirúrgico/ Hoje eu me transformei”. Eles estavam em todas as rádios, todos os programas de TV. Faziam parte, até mesmo, do repertório de cantoria das excursões escolares.
Mais difícil ainda foi crer nas imagens da TV do dia 3 de março de 1996. O acidente deixou muita gente em choque. O enterro estava lotado a tal ponto que era impossível enxergar o chão. Na rua, as pessoas estavam desoladas, paravam em frente às TVs para assistir às últimas notícias da queda do avião. E, para quem pensa que tudo isso foi coisa de momento, vale dizer: no Orkut são mais de mil comunidades falando da banda, sendo que a maior delas tem mais de 830 mil membros. Também no YouTube, entre entrevistas, matérias, apresentações ao vivo, covers e clipes, foram colocados no ar quase dois mil vídeos com a banda.
É essa jornada, cômica e trágica, que será lembrada em duas diferentes ocasiões. A primeira vai ao ar logo hoje, quando a Rede Globo exibe, depois de Casos e acasos, a estréia de 2008 de Por toda a minha vida (o programa começou no ano passado e foca sempre alguma banda ou artista póstumo brasileiro). O segundo projeto vai demorar mais um pouco. Trata-se de um longa-metragem ainda em fase de captação e contemplado recentemente com R$250 mil, quantia proveniente de um edital da Secretaria de Cultura de Paulínia.
Dramatização - Apresentado pela descolada Fernanda Lima, o programa televisivo revive os momentos mais importantes da trajetória do grupo, desde quando resolveram formar o infame Mamonas Assassinas, até o acidente. Na época, mal se podia acreditar que aqueles cinco homens feitos saíram de uma velha brasília amarela direto ao estrelato instantâneo.
Uma das participações especiais é de Fausto Silva, o Faustão, que lembra: “Foi gratificante quando as pessoas começaram a deixar de lado muitas hipocrisias e a curtir o que eles estavam fazendo”. Eduardo Bueno, biógrafo da banda, e familiares dos integrantes também aparecem no programa falando dos bastidores do grupo. Como é de praxe do Por toda a minha vida, haverá ainda dramatizações e entrevistas. Nos papéis dos integrantes da banda estão: Fabrízio Teixeira (o vocalista Dinho), Douglas Rosa (Samuel), Rômulo Estrela (Sérgio), Bento (Anderson Lau) e Júlio (Flávio Pardal). Ainda tem Fernanda de Freitas interpretando Valeria Zopello, namorada de Dinho; Diogo Novaes como Rafael Ramos, baterista do Baba Cósmica e um dos responsáveis pela descoberta do grupo; Antonio Fragoso vivendo João Augusto, diretor da gravadora dos Mamonas; entre outros.
Idolatria - Já o filme, que será assinado por Maurício Eça, é uma iniciativa da Record Entretenimento. Este é o primeiro longa do diretor, que já esteve à frente de alguns clipes de astros do pop e do rock, como Pitty e Marcelo D2, além de ter realizado curtas e trabalhar com vídeos publicitários. Por telefone, Maurício contou que as filmagens estão previstas para começar no próximo ano.
Novamente, a história vai ser contada desde a época da banda Utopia (primeiro grupo dos integrantes do Mamonas) até o acidente. “Vamos falar principalmente das dificuldades enfrentadas por eles rumo ao sucesso”, antecipa Maurício. Para o diretor, a história vivida por Dinho e companhia foi um ícone da cultura popular brasileira: “Eles representaram muito para o Brasil, afinal, em apenas alguns meses, cinco jovens saídos da periferia paulistana estavam no rol das figuras mais idolatradas do país”.

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