quinta-feira, 10 de julho de 2008

Movimento fraco na volta ao trabalho no Judiciário



Pouca gente foi aos cartórios no primeiro dia após a greve
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O primeiro dia de trabalho após o fim da greve dos servidores do Judiciário teve movimento normal, longe do tumulto esperado por funcionários de cartórios, tabelionatos e juizados de Salvador.
Até as quatro da tarde, no 1º Tabelionato de Notas, no Comércio, 324 pessoas haviam sido atendidas para serviços como reconhecimento de firma, procurações, escrituras e autenticações. Por dia, passam pelo local cerca de 400 pessoas em média. "Não foi nada fora do normal, ficamos até abaixo da média, mas o movimento deve aumentar nos próximos dias", explica o tabelião substituto José Antonio.No 14º Tabelionato de Notas, no Centro Empresarial Iguatemi, a avaliação da sub-tabeliã Luciene Andrade foi semelhante: "As pessoas não estão informadas de que a greve acabou. Estamos preparados para aumento da procura dos nossos serviços nos próximos dias". Nesta sexta, o movimento ainda era menor do que o do tabelionato no Comércio, com várias cadeiras vazias na fila de espera.
No Fórum Rui Barbosa, o movimento era mais intenso, e os usuários da sala 21, de autenticação e reconhecimento de firmas, reclamaram da demora no atendimento. "Fica só uma atendente, às vezes nenhuma. Cheguei aqui às 10h da manhã e não fui atendido até as 13h. Fui para casa para almoçar e voltei agora de tarde. Cheguei aqui há meia hora e está longe de chamarem minha senha", disse o florista Daniel Freitas.
Falta de informação - "Vim aqui para autenticar documentos. Estou vendendo imóvel e o negócio ficou parado por causa da greve", relata o despachante Jerônimo Santos, que esperava atendimento no Fórum. Na mesma fila, a estudante de enfermagem Maria de Fátima Silva esperava há cinco dias para poder fazer uma autenticação de documento requerido pela faculdade onde estuda.
Apesar de parado nas unidades do Judiciário, o serviço de autenticação estava sendo realizado no Núcleo de Atendimento Judiciário (NAJ), no Shopping Baixa dos Sapateiros, que não parou durante a greve. O local presta também "serviços rápidos" de cartório, como procurações e declarações de afrodescendência.
Outros serviços, como abertura de firma e habilitação de casamento são encaminhados pelo NAJ, e o cidadão só precisa ir ao cartório uma vez. "Aqui são concentrados vários serviços, e o cidadão pode vir para cá para não pegar tantas filas filas", afirma a coordenadora Haline Magalhães.
De acordo com a coordenadora do NAJ, Haline Magalhães, durante a greve deixaram de ser encaminhados 1,6 mil certificados cíveis e criminais (que comprovam que uma pessoa não responde a processo), e 600 aberturas de firma. "Somente para esse serviço, cerca de 300 pessoas nos procuram por dia. Com a greve, as pessoas também deixaram de vir para cá", afirma Haline. Os documentos acumulados foram entregues aos cartórios correspondentes nesta sexta.
Audiências - Contatada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça não soube informar quantos processos ficaram acumulados durante a greve de 23 dias dos servidores do Judiciário, nem as providências que deve tomar o cidadão que tinha audiências marcadas para o período.
Os servidores encerraram a greve na manhã de terça, após a Justiça determinar a volta ao trabalho sob ameaça de corte de ponto. A categoria paralisou as atividades devido a votação de Plano de Cargos e Salários pela Assembléia Legislativa.

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