quinta-feira, 10 de julho de 2008

MP: organização desarticulada pela PF não tem limites

O procurador da República Rodrigo de Grandis afirmou em entrevista coletiva nesta tarde que a organização criminosa desarticulada pela Polícia Federal na Operação Satiagraha "não tem limites" e demonstra um "desrespeiro à população". Grandis afirmou que a apuração do Ministério Público Federal apontou que a suposta prática de corrupção pelo grupo chefiado por Dantas é "costumeira" e "foi utilizada diversas vezes em momentos diferentes pela organização criminosa".De acordo com o procurador, as razões que motivaram um novo decreto de prisão (preventiva) nesta quinta-feira para o banqueiro Daniel Dantas são "completamente" diversas do primeiro pedido de prisão (temporária). Grandis disse que o pedido de prisão preventiva "está bem fundamentado".
O banqueiro foi preso na terça-feira pela Polícia Federal na Operação Satiagraha. Dantas dormiu na sede da PF em São Paulo de terça para quarta-feira e foi solto nesta madrugada, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu habeas-corpus a ele e outras 10 pessoas ligadas ao grupo Opportunity. Contudo, uma nova decisão da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo nesta quinta-feira mandou Dantas de volta à prisão sob a acusação de corrupção ativa. Os outros 10 que receberam o benefício continuam em liberdade.
Além de Dantas, a Operação Satiagraha levou à cadeia a irmã de Dantas, Verônica, o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e outras 13 pessoas. Entre elas, acionistas do grupo Opportunity, chefiado por Dantas.
Dantas, Pitta e Najas são acusados dos crimes de gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e uso de informações privilegiadas, entre outros.
No pedido de prisão feito pelo procurador, ele reitera que a prisão de Dantas é "o único instrumento processual-penal hábil a cessar a continuidade delitiva, a reiteração criminosa".
Grandis disse que, durante o mandado de busca e apreensão realizado na casa de Daniel Dantas, a Polícia Federal encontrou um documento entitulado "Contribuições ao clube", no qual foi deduzido, pelas autoridades, que no ano de 2004 foram pagos 1,5 milhão (de real ou de dólares - a moeda ainda não foi descoberta), a título de 'contribuição para que um dos companheiros não fosse indiciado criminalmente'. O procurador afirmou que os agentes já sabem quem recebeu o dinheiro.
Sobre as críticas de espetacularização das operações da Polícia Federal feitas pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, o procurador afirmou que a prisão de hoje "foi discreta e sem espalhafato". "Agora, a crítica é pessoal do ministro. Na minha opinião, eu acho que existem formas de realizar a prisão preventiva, a prisão temporária. De qualquer maneira, acredito que o que viola de forma frontal o estado de direito é a criminalidade econômica que campeia no Brasil", disse.

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