SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu ontem, durante a Operação Satiagraha, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas, o banqueiro baiano Daniel Dantas, do Opportunity, e outras 14 pessoas suspeitas por desvio de verbas, corrupção e lavagem de dinheiro. A operação cumpre 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. No Rio, a PF já cumpriu nove mandados de prisão e em São Paulo, oito. “Essa organização criminosa tinha como seu líder o Daniel Dantas’’, disse Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações. “Nós nos deparamos, primeiramente, com um grupo de pessoas, e depois com uma organização criminosa muito bem estruturada’’, reiterou.
Dantas foi preso no Rio, juntamente com o cunhado e a irmã. Eles foram transferidos para São Paulo. A Polícia Federal apreendeu quatro carros importados, sendo que três deles possivelmente seriam de Nahas, além de documentos e um cofre. A Justiça decretou as prisões temporárias de dez pessoas ligadas a Dantas: Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), Carlos Rodemburg (sócio e vice-presidente do banco Opportunity), Daniele Ninio, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dorio Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade.
O Ministério Público Federal acusa o grupo do banqueiro Daniel Dantas de ter movimentado, entre 1992 e 2004, quase US$2 bilhões por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe.
Também foi decretada a prisão preventiva de duas pessoas, que teriam, supostamente a mando de Dantas, oferecido, segundo o Ministério Público, US$1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que ele tirasse alguns nomes do inquérito. Uma delas, Hugo Chicaroni, foi presa hoje durante a operação. Na casa dele, a polícia teria encontrado R$1 milhão.
Defesa - O advogado de Dantas, Nélio Machado, afirmou que a operação é resultado de uma “perseguição implacável’’ de representantes do setor público a seu cliente. Machado acusa representantes do setor público de perseguirem seu cliente. Ele disse acreditar que a operação da PF é decorrência da briga societária envolvendo Brasil Telecom e a Telecom Itália. “Sei que há documentos na Itália que deixam comprometidos personagens envolvidos com o governo brasileiro, e esse episódio pode ter gerado uma vingança contra o meu cliente’’, afirmou, no Rio. (Folhapress)
quarta-feira, 9 de julho de 2008
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