Quadrilha que realizou dois assaltos, no mês passado, ao posto do banco Santander, situado no interior do Hospital Evangélico, em Brotas, está presa na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), na Baixa do Fiscal. Os três assaltantes assumiram a autoria do roubo e revelaram que contaram com a ajuda do segurança do posto, André Silva Souza, conhecido como Chulé.
O pequeno intervalo de tempo entre os dois assaltos, ocorridos nos dias 2 e 17 de junho, e o fato de não ter havido resistência do segurança chamou a atenção da polícia. As investigações levaram a Ricardo Santos de Oliveira, 32 anos, chefe do grupo. Condenado pelo assalto à agência do Banco do Brasil, no Canela, em 2000, ele estava evadido da Colônia Penal Lafayete Coutinho, onde cumpria pena. Ricardo estava com mandado de prisão expedido e foi capturado na última quinta em Cosme de Farias.
No dia seguinte, a polícia interceptou o segundo suspeito, Marcos Paulo Santos Reis, 33. Ele foi pego na Avenida Bonocô quando dirigia o veículo Corsa, cor prata, placa JPN-1951, pertencente a seu pai, um funcionário aposentado da Embasa.
No carro foram encontrados celular, documentos, diversos cartões de crédito e cocaína. No momento da abordagem, Marcos Paulo ofereceu R$ 10 mil aos policiais para que deixassem ele escapar. Por isso, responderá por tentativa de suborno, além de ser indiciado por tráfico de drogas e roubo.
Marcos Paulo foi levado até sua casa, em Cajazeiras XVIII, onde foram encontrados rádios de carro (provavelmente entregues por usuários em troca de drogas), 20 papelotes de cocaína, material para embalar drogas e R$ 500 em dinheiro.
O traficante, apontado como dono de pontos de venda de entorpecentes na região de Brotas e Cosme de Farias, levou os policiais até a casa de outro integrante da quadrilha que também participou do assalto ao banco.
Na residência de Ivanés Lopes de Paula, 21, em Campinas de Brotas, foi encontrado material de embalar drogas. Ele informou que o produto era repassado por Marcos Paulo e afirmou que tinha vendido tudo. O dinheiro, R$ 1,4 mil, estava escondido na casa da mãe de Ivanés, que mora na mesma rua.
Os três assumiram o envolvimento nos dois assaltos ao posto do banco Santander do Hospital Evangélico. E confirmaram que contaram com a colaboração do segurança André Silva Souza, que é vizinho e amigo de infância de Ricardo. André teria informado aos ladrões os dias em que haveria dinheiro no posto para pagamento dos salários dos funcionários do hospital.
Segundo o delegado titular da DRFR, Antônio Cláudio Oliveira, André foi ouvido pela polícia e em seu depoimento confirmou a participação nos assaltos. Porém foi liberado logo após, pois não houve flagrante e não há mandado de prisão expedido em seu nome. “Já encaminhei o pedido de prisão temporária dele e estou aguardando”, observou o delegado.
DÍVIDAS – André disse aos policiais que recebeu R$ 1,2 mil como recompensa pela sua colaboração, dinheiro utilizado, de acordo com ele, para pagar dívidas atrasadas e comprar comida para a família. Na sexta-feira, André ainda estava trabalhando, fazendo a segurança em outra agência bancária. O delegado informou que entrou em contato com a assessoria jurídica da empresa terceirizada de segurança da qual André é funcionário.
Os dois assaltos renderam à quadrilha R$ 35 mil. O delegado Antônio Cláudio Oliveira suspeita que os R$ 1,9 mil recuperados dos assaltantes seja fruto do tráfico de drogas e não do roubo ao banco. Ainda assim, solicitou da entidade financeira o número de série das cédulas que foram roubadas nos dois assaltos, para ver se são compatíveis com os números do dinheiro que foi recuperado.
sábado, 12 de julho de 2008
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