
Uma multidão de fiéis participou no início da noite desta quarta-feira, 6, da benção de despedida dos romeiros na esplanada do santuário de Bom Jesus da Lapa. A cidade de mesmo nome, localizada a 796 km de Salvador, está situada na margem do rio São Francisco, no semi-árido baiano. Durante todo o dia e na semana que o precedeu, foi grande a movimentação de romeiros, estimados pela Policia Militar em cerca de 250 mil pessoas.
Antes da despedida, aconteceu o ponto alto da comemoração ao padroeiro, com a tradicional procissão da imagem do Bom Jesus pelo centro histórico. Para acompanhar o andor, os devotos se espremeram pelas ruas, rezando e cantando, acendendo velas e soltando foguetes. Tudo para manifestar sua fé.
Das cinco horas da manhã até o anoitecer, o complexo das grutas com grandes salões, devidamente iluminadas e sinalizadas, que terminam em estreitos corredores de pedra natural, cerca de 900 metros adentro, esteve lotado. No salão das graças, milhares de fotos, fitas, e todo tipo imaginável de lembranças, que são deixadas pelos fiéis em sinal de agradecimento, denotam a crença de grande número de pessoas no Bom Jesus da Lapa.
No interior destas cavernas, transformadas em igreja e capelas, o clima é agradável. Os bancos são disputados para descanso e longas e compenetradas orações. Outra opção é subir os 90 metros de pedra calcária, alcançando um cruzeiro e um mirante, onde se descortina a paisagem do vale do São Francisco e a cidade que cresceu em volta do morro. Esse caminho de pedras e degraus íngremes só é recomendado para pessoas com um mínimo de preparo físico.
Comércio – No entorno da gruta e da feira livre, é difícil a locomoção de automóvel e mesmo a pé, pois os visitantes tomam conta das ruas. Mas os donos de rancharias, hotéis e pousadas, e os comerciantes de alimentos, roupas, assessórios e todo tipo suvenires agradecem o grande movimento.
Neste ano, a festa de Bom Jesus da Lapa recebeu cerca de dois mil ônibus de fiéis, mais os caminhões paus-de-arara e veículos de passeio. Os hotéis e pousadas têm 5.800 leitos cadastrados, mas a estimativa é que existam aproximadamente 900 rancharias (casas alugadas para romeiros como albergues), com capacidade entre 40 a 60 pessoas. Tudo ficou lotado.
Além destas formas de hospedagem, muitas pessoas dormem nos acampamentos e em redes estendidas sob as árvores, praças e marquises, revelando uma legião de mendigos que rodeiam o santuário e os locais de alimentação, pedindo dinheiro e comida.
“Vim de carona de Paratinga na fé de que o Bom Jesus me daria abrigo e comida”, revelou Sandra Pereira, 25 anos, pedindo ajuda para alimentar o filho de três anos que trazia no colo. Ela disse que em anos anteriores “quando a roça dava alguma coisa, a gente vinha de pau-de-arara. Mas, esse ano tive que pagar uma promessa e vim de qualquer jeito”.
A romaria de Bom Jesus da Lapa acontece há 317 anos e em 2008 teve por tema “Chamados para promover e defender a vida”, em continuidade ao tema da Campanha da Fraternidade. Como maior festa religiosa do estado, a romaria do Bom Jesus é considerada a terceira do Brasil em número de visitantes, estimados em 800 mil pessoas entre julho e novembro.




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