O número de aves sobrevoando próximo à pista do Aeroporto Internacional Deputado Luis Eduardo Magalhães vem crescendo há cerca de um ano, causando acidentes com aeronaves. O Grupamento do Corpo de Bombeiros, que faz o controle dos animais na pista de pousos, e decolagens realizava cerca de 30 intervenções mensalmente, usando fogos de artifício para espantar os indesejados visitantes emplumados. Mas este número cresceu 500%, passando para cerca de 180 ações por mês, por causa do aumento do número de aves na região.
A principal ação para espantá-las das imediações da pista do aeroporto não vem dando resultados, apesar do esforço dos bombeiros. Anteontem, um urubu colidiu contra a turbina do Boeing 737 da empresa aérea Gol, pouco depois de o avião decolar com cerca de cem pessoas a bordo. A aeronave foi obrigada a retornar ao solo cerca de 20 minutos após o incidente, e o vôo para São Paulo acabou sendo cancelado. Apesar de a Infraero ser responsável pela administração do terminal, o Corpo de Bombeiros atua na área, por causa de um convênio celebrado entre a Secretaria de Segurança Pública e o aeroporto.
O tenente Antônio Raimundo Andrade Ferreira, comandante do 2º Subgrupamento de Bombeiro de Aeródromo, situado dentro da Base Aérea de Salvador, disse que nunca viu tantas aves na região como este ano. “Antigamente, a gente era acionado para espantar os pássaros uma vez por dia; em outros dias, nem precisava. Agora, nós atendemos uma média de seis solicitações diárias”, explicou o militar.
A reportagem do Correio da Bahia flagrou, na manhã de ontem, mais de 20 aves sobrevoando as duas pistas do aeroporto, além de alguns animais pousados a poucos metros da cabeceira de uma delas. Quando os aviões aterrissavam, espécies como urubus, quero-queros e carcarás disparavam, voando perigosamente a poucos metros das aeronaves.
Pouco depois, uma viatura do Corpo de Bombeiros passou pela pista disparando fogos de artifícios do tipo rojão e as aves foram afugentadas. Mas a solução não durou muito tempo. Minutos depois, elas voltaram a sobrevoar a área do aeroporto e pousaram novamente na cabeceira. O sargento do Corpo de Bombeiro Enéias Araújo disse que já tinha atendido quatro solicitações para retirar animais da pista, apenas na manhã de ontem.
“Nós fomos acionados para espantar pássaros duas vezes da pista e outras duas para retirar um cachorro e uma iguana”, explicou o sargento Enéias. Os bombeiros ficam baseados próximo a uma das pistas do terminal aéreo e são acionados pela torre de controle ou pelo funcionário da supervisão da Infraero. Depois de avisados, imediatamente eles saem em uma das viaturas e disparam os rojões próximo às aves.
O sargento Marcos Araújo acrescentou que o Corpo de Bombeiros costuma retirar diariamente aves mortas próximo à pista para evitar que atraiam urubus. As espécies que costumam aparecer no aeroporto são quero-queros, carcarás e urubus, e muitas delas acabam morrendo por causa das aeronaves. Também aparecem animais silvestres na pista do aeroporto, como iguanas e cobras do tipo sucuri e jibóia, além de domésticos como cachorros.




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