Em meio à emoção pela conquista do título olímpico dos 50 metros nado livre, o brasileiro Cesar Cielo Filho tinha uma preocupação: trocar sua medalha de ouro. "Na verdade eu recebi a medalha errada. Na minha medalha tá escrito 'pra mulheres, 50 metros'", disse aos repórteres ao final da entrevista coletiva. O equívoco foi cometido durante a cerimônia de entrega das medalhas, mas acabou corrigido pela organização dos Jogos após a reclamação do nadador. A final dos 50 metros feminina está marcada para este domingo.
A natação brasileira, que já teve nomes importantes como Ricardo Prado, Gustavo Borges e Fernando Scherer, viveu na noite desta sexta-feira (15), em Pequim, o capítulo mais importante de sua história. E quem o escreveu foi César Cielo, de 21 anos, que venceu os 50 metros livre conquistando a primeira medalha de ouro olímpica da natação brasileira. Em uma prova que reuniu o atual campeão mundial, o então vice-campeão olímpico e o atual recordista mundial, Cielo foi o nadador mais rápido do mundo.
O brasileiro, que já havia conquistado o bronze nos 100 m livre, bateu, pela terceira vez em Pequim, o recorde olímpico dos 50 metros. Cielo fechou a prova em 21s30, à frente dos franceses Amaury Leveaux (21s45) e Alain Bernard (21s49). O australiano Eamon Sullivan, recordista mundial da prova, ficou apenas em sexto lugar, com 21s65.
Cielo começou a chorar ainda dentro da água, enquanto era parabenizado por Bernard, o terceiro colocado, e saiu da piscina muito emocionado. "Foi sem dúvida a melhor prova da minha vida. Eu vi os meus pais antes da prova na arquibancada. Foi o melhor momento da minha vida. Foi sensacional. Se eu tivesse que voltar no tempo e mudar alguma coisa, não mudaria nada para chegar aqui", afirmou o nadador à SporTV. "Sou um campeão olímpico. Era um sonho que tinha desde criança. Nunca imaginei chegar onde cheguei. Agora posso dizer: sou um campeão olímpico", completou.
A vitória de Cielo é a coroação do trabalho de uma vida toda, que começou a se destacar no Brasil em julho de 2007, com a disputa dos Jogos Pan-Americanos, no Rio. No complexo aquático Maria Lenk, Cielo venceu o revezamento 4 x 100 m livre, os 100 m livre e os 50 m livre. Na época, diante do sucesso de Thiago Pereira, que levou seis medalhas de ouro, poucos perceberam que era com Cielo que estavam as maiores esperanças da natação brasileira.
No Pan, o nadador, que nasceu em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, nadou os 50 m livre em 21s84, um tempo espetacular para aquele momento, apenas 20 centésimos acima do recorde que o lendário nadador russo Alexander Popov estabeleceu no ano 2000. Desde então, a marca começou a ficar cada vez mais ameaçada e, em 2008, foi quebrada quatro vezes, três delas por Eamon Sullivan, que mantém o recorde (21s28), e uma por Alain Bernard, bronze na prova vencida por Cielo.
O nadador brasileiro, que treina na Universidade Auburn, nos Estados Unidos, também melhorou seu tempo neste período e chegou a Pequim claramente no ápice de sua forma. Nas eliminatórias, Cielo nadou os 50 m livre em 21s47, quebrando o recorde olímpico (21s91), que pertencia a Alexander Popov desde 1992. Na bateria seguinte, o francês Leveaux, prata nesta sexta, baixou a marca para 21s46. Nas semifinais, Cielo voltou a brilhar, fazendo o melhor tempo entre os 16 classificados (21s34). Na final, um dia histórico para o esporte brasileiro, o nadador melhorou o recorde olímpico para 21s30, e ficou a apenas dois centésimos da marca que Sullivan estabeleceu em março.A medalha ganha por Cielo é a 11ª na história da natação brasileira. Antes, foram três pratas e sete bronzes, incluindo o que Cielo conquistou nos 100 m livre também em Pequim.
sábado, 16 de agosto de 2008
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