Segundo a Corregedoria da Polícia Militar, quatro policiais foram presos em 31 de julho.
Testemunha viu policiais abordarem homem que foi morto em troca de tiros horas depois.
Quatro policiais militares estão presos desde o dia 31 de julho suspeitos de forjar uma situação de roubo que acabou com a morte de uma pessoa. A informação foi confirmada nesta terça-feira (12) pela Corregedoria da Polícia Militar.
Segundo uma testemunha, os policiais abordaram um homem e o colocaram dentro de um carro da polícia por volta das 21h30 do dia 29 de julho. Já na madrugada do dia 30, à 1h55, ele foi morto em uma troca de tiros com os mesmos policiais. No relato do ocorrido, os PMs afirmaram que ele foi atingido enquanto cometia um roubo.
De acordo com a polícia, o caso foi inicialmente registrado como "roubo com retenção de vítima". Segundo os relatos dos policiais, o homem estava acompanhado de um suspeito quando teria abordado uma vítima na porta de casa. A dupla teria colocado a vítima no porta-malas de um carro e fugido com ela. Vizinhos avisaram o filho da vítima, que ligou para o 190. O veículo foi encontrado pelos policiais presos. Houve troca de tiros e justamente o homem que havia sido abordado anteriormente morreu.
Segundo a Corregedoria da PM, até então o caso não tinha nada que chamasse a atenção. “A corregedoria sempre acompanha quando tem morte de civis. A princípio, a ocorrência não tinha nada de diferente. Era justificado o uso da força pelos policiais em defesa da vítima”, explica o capitão Levi Félix.
O caso só passou a ser vista com desconfiança quando a mulher do homem morto procurou a corregedoria na manhã seguinte, afirmando que seu marido havia desaparecido na noite anterior. “Ela levou uma pessoa que presenciou a detenção dele e viu o homem ser levado pelos policiais dentro do carro. Fomos em busca do marido e descobrimos que ele era o suspeito morto na ocorrência da madrugada”, explica o capitão Levi Félix.
Após o sumiço, o homem não foi mais visto e nem foi apresentado em qualquer delegacia. Segundo a corregedoria, por volta das 22h pelo menos três pessoas sabiam que o homem estava desaparecido – a testemunha que viu a abordagem dos policiais avisou outra pessoa, que avisou a mulher do suspeito.
Um inquérito policial militar foi instaurado contra um tenente e três soldados. Eles estão no presídio da Polícia Militar desde o dia 8 de agosto, quando foi decretada a prisão temporária.
A vítima do roubo foi ouvida pela corregedoria e sustenta que foi abordada na frente de casa. O homem que morreu e a testemunha - que viu ele ser abordado pelos policiais -já tinham passagem pela polícia. A testemunha, inclusive, foi presa uma vez por um dos policiais envolvidos.
“Estamos aguardando a vinda dos laudos e tentando verificar se de repente foi uma história montada”, explica o capitão Levi. Segundo ele, a hipótese utilizada pela corregedoria é a de que o roubo foi uma farsa. “Para isso, temos outras duas hipóteses: ou a vítima do roubo não era uma vítima e participou da trama ou realmente foi vítima e a farsa aconteceu sem a sua participação”.
Os quatro policiais devem continuar presos no presídio da PM até o fim da prisão preventiva, que tem prazo de 30 dias a partir de 8 de agosto, prorrogáveis por mais 30 dias. Segundo a corregedoria, eles podem continuar presos até o julgamento.




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