terça-feira, 12 de agosto de 2008

Presos são transferidos para Juazeiro após determinação judicial

Cristina Laura, da sucursal Juazeiro

Dos dezessete presos instalados em celas desativadas na delegacia de Juazeiro (500Km de Salvador), os dez considerados mais perigosos serão transferidos para o presídio da região e os demais, detidos por crimes considerados leves, serão liberados. Um adolescente que está apreendido será enviado à Casa de Acolhimento de Feira de Santana ou à Fundação da Criança e do adolescente em Petrolina (PE), a depender da disponibilidade de vaga.

A decisão foi tomada depois de uma reunião realizada nesta terça, 12, pela manhã, no fórum de Juazeiro, entre o Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Militar e Polícia Civil. Desde que aconteceu a rebelião na Casa de Detenção do município, nenhuma decisão foi tomada pelo Estado no sentido de apresentar alternativas para resolver as questões referentes a um local para abrigar novos presos, além da reforma e ampliação da unidade criada em 1982 e que foi destruída pelos 221 presos rebelados em 29 de Julho passado.

Desde então as 20 mulheres que não foram transferidas ocuparam a sala de aula do projeto Topa Tudo pela Educação, mas com a determinação da Justiça, todas serão levadas para o presídio em Feira de Santana ou Salvador. Interditada no dia 1º de Agosto por decisão dos três juízes da Vara Criminal de Juazeiro, atendendo solicitação do Ministério Público, a Casa de Detenção está isolada e não pode receber mais nenhum preso.

A situação se complica porque o Complexo Penal, que só tem vaga para 268 condenados, já está com 321 e agora vai receber mais 10, passando a um excedente de 63. “Atendemos às ordens judiciais, mas sabemos que o presídio não tem capacidade para tanto. Vamos entrar em contato com a Secretaria de Justiça para saber se há possibilidade de transferência de alguns presos para Salvador”, afirma o diretor do presídio Manoel Tadeu Menezes. Os policiais militares que faziam guarda externa da Casa de Detenção farão reforço de segurança no presídio.

A nova Casa de Detenção, a ser construída, deverá ter, segundo os juízes, no mínimo espaço para 360 presos, aumentando a capacidade anterior, que era de apenas 60. De acordo como promotor público Rildo Carvalho, se o governo estadual não agir rápido conforme requerimento do MP acatado pelo Judiciário “o maior prejudicado será a população pela crescente onda de violência que pode vir a acontecer na comarca e inviabilizará também os serviços das polícias civil, militar e federal”.

Um projeto orçado em R$ 280 mil pode servir de base ao Estado, no sentido de tomar as providências para a imediata reconstrução da unidade destruída. Outra medida é de que a Casa de Detenção passe a ser responsabilidade da Secretaria de Justiça, evitando que agentes policias sejam as mesmas pessoas que prendem e custodiem presos.

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