A situação está pior a cada dia. Uma comerciante chorava ao relatar o terror que vive em seu estabelecimento, situado na avenida. "Estamos abandonados, não sei o que fazer". 98% das empresas do local já foram assaltadas, algumas nada menos que oito vezes. Pelo mesmo bandido. Moradores e comerciantes não suportam mais a ação dos bandidos, que agem à vontade naquela área, a qualquer hora. Supermercados, farmácias, armarinho, sacolão de verduras e panificadoras são alvos constantes. Todos que transitam entre a avenida e os bairros Antique, Santa Inês, Califórnia, Nova Califórnia, Fátima, Monte Cristo e João Soares estão suscetíveis à ação dos bandidos. “Moro aqui há mais de 30 anos e nunca vi uma situação dessas. Todos em minha casa já foram roubados. Minha esposa quando chegava do trabalho, minha filha seguindo para o colégio e eu na porta de casa. E isso não faz muito tempo”, disse J.R.F.S. Ele acrescenta que “antigamente se via por aqui aquele Cosme e Damião (se referindo à dupla de policiais). Hoje não vemos um policial passar aqui e, quando isso acontece, é sempre após um assalto, depois some”. A gerente de outro estabelecimento, que terá sua identidade preservada, definiu a situação como caótica e que “o bandido precisa ver que tem polícia. É compreensível que o bandido nos roube várias vezes, sabe que vem e nunca vai correr o risco de ver um policial". Já houve caso de empresa fechar por um período porque o proprietário não suportou os prejuízos causados pelos assaltos. “Trabalho de segunda a segunda, pago meus impostos e quando mais preciso da polícia, ela me dá às costas”. Eles defendem a instalação de um posto, onde fiquem pelo menos dois policiais que façam a ronda a pé, porque os bandidos agem de bicicleta, moto e carro, mas muitas vezes tem ido a pé. O coordenador de planejamento operacional do 15º BPM, Capitão Muller, disse que “nós temos acompanhado as ocorrências registradas na delegacia e temos registros de ações delituosas na Avenida Bionor Rebouças, com uso de arma de fogo". Assassinatos também são constantes nos bairros
segundo o delegado titular da Delegacia de Furtos e Roubos, Marlos Macêdo, que demonstra preocupação e promete providências imediatas, apesar do número reduzido de agentes civis (oito) à sua disposição, para toda a cidade. Marlos pede que as vítimas continuem registrando as queixas, compareçam à delegacia para reconhecimento dos bandidos. “As pessoas podem vir com tranqüilidade, elas não terão contato com os assaltantes nem serão colocadas na frente deles”. Ele alerta que, se não há registro, a polícia não tem como trabalhar e elucidar os crimes. “É comum quando chega um assaltante e nós descobrirmos pelo menos dois, três crimes. Mas nós precisamos que as pessoas venham à delegacia”. Para que a polícia formalize o inquérito policial, é salutar que a vítima reconheça o criminoso. A DRFR tem um banco de dados rico em informações e fotos. Se a vítima quiser adiantar o processo, liga para o 197 e denuncia ou fala com o delegado Marlos no 3214-7819. “Apesar das nossas limitações com o número de pessoal e outros problemas graves em bairros como Fátima, Califórnia e Monte Cristo, dou a minha palavra que meu pessoal estará lá para elucidar os crimes e tentar coibir outros”. Os homicídios preocupam Marlos. Num final de semana, foi morta Juliana Brito Santos, de 17 anos. A jovem estava com o namorado conhecido por Júnior quando foi assassinada, no final da Avenida Bionor Rebouças, no bairro Santa Inês. Logo depois, foi à vez do adolescente Diego de Jesus Arcanjo, assassinado na mesma avenida. No início do mês, dia 7, Robson Moura da Silva, de 36 anos, foi assassinado, segundo a família, vítima de uma emboscada de pessoas ligadas ao crime. Já no bairro Monte Cristo (que fica entre a Avenida Bionor Rebouças e o bairro de Fátima), Wellison Pereira dos Santos, de 22 anos, foi morto quando cortava o cabelo num salão de beleza.




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