quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Estelionatário vendia para prefeituras


do sul da Bahia mercadorias compradas através de uma empresa fantasma e com notas fiscais frias. O delegado titular da Delegacia de Furtos e Roubos, Marlos Macêdo, instaurou inquérito para investigar o esquema, que também tinha a participação de prefeituras regionais. Por enquanto, a polícia não divulga os nomes dos clientes nem dos cúmplices do golpista. O estelionatário foi identificado como Manuel de Jesus, acusado de aplicar um golpe de R$ 200 mil na Matsuda, de São Paulo, através de um representante local.
“Manuel” é acusado de criar uma falsa empresa no bairro Urbis IV, em Itabuna, onde funcionava o “escritório”. Lá os agentes encontraram material agrícola e um arquivo de pastas com notas fiscais, talões de pedido em nome de prefeituras e empresas da região.
Além da Urbis IV, outro endereço informado nas notas fiscais, que devem ser frias, não existe, conforme consulta feita na Receita Federal e na Junta Comercial do Estado da Bahia (Juceb).
Um terceiro endereço informado é a Rua Floriano Peixoto, 146, centro de Itabuna, onde a suposta empresa nunca funcionou. Manuel de Jesus fez a primeira compra, de R$ 87 mil, e enviou para a Matsuda um comprovante de pagamento com autenticação falsa.
Como conseguiu enganar a empresa na primeira compra, ele fez novo pedido, que foi liberado após o ‘recebimento’ da fatura. A empresa descobriu o golpe depois da segunda venda e acionou a polícia, que descobriu que a empresa era de fachada.
Clientes
Os produtos foram revendidos no comércio de Itabuna e para prefeituras da região por valores muito abaixo do mercado. Um saco de sal mineral para animal, por exemplo, custa R$ 35 na fábrica, mas o estelionatário revendia por R$ 10.
A polícia tem nomes das empresas e os clientes de Manuel de Jesus, que a polícia acredita seja um pseudônimo, serão indiciados por receptação de produtos roubados.
O delegado prefere manter os nomes em sigilo para não comprometer as investigações. “Começamos a investigar o golpe logo após uma ocorrência do representante da Matsuda”. Ele comunicou à polícia que o suposto Manuel teria efetuado as compras e não pagou. O pagamento seria através de boletos bancários.
A polícia já sabe que o material foi distribuído em uma fazenda no Serrado e outra em Barreiras. “Logo constatamos o crime de estelionato, depois de analisarmos os documentos encontrados no ‘escritório’”.
Marlos diz que está localizando as pessoas que fizeram as compras, inclusive prefeitos, para depor. Ele quer saber se as compras feitas através de prefeituras foram ilícitas.
Coniventes
Para o delegado, os clientes do golpista foram coniventes. “Não dá para acreditar que estes comerciantes tenham sido vítimas. Eles sabiam que os produtos oferecidos estavam com valores muito abaixo do mercado. Os envolvidos devem responder por receptação”.
Marlos Macêdo diz que acredita se tratar de uma quadrilha grande, atuando na região há mais de um ano, conforme os documentos encontrados. “Já sabemos que alguns são de Buerarema. Ele repassou só para uma empresa local 400 sacos de sal mineral”.
O grupo é especializado em produtos agrícolas, segundo suspeita a polícia, devido à grande quantidade de material encontrado e os que já foram revendidos: plantadeiras, motores elétricos, sal mineral para animal.
Nossa reportagem descobriu que um candidato a vereador de Buerarema esteve com o suposto Manuel de Jesus para efetuar a primeira compra na Matsuda. Ele foi reconhecido pelo representante da empresa.
Manuel apresenta deficiência física em uma das pernas. Quanto ao candidato à vereança de Buerarema, o delegado não tem dúvidas: “faz parte da quadrilha também”.
Ele possui uma propriedade em Buerarema e comprou um curral pré-moldado numa empresa do Rio Grande do Sul, por R$ 110 mil. “Estamos averiguando se esta empresa também foi vítima de mais um golpe da quadrilha”, explica Marlos.
Além da Matsuda, Manuel de Jesus também é acusado de ter comprado na Tortuga, outra empresa de material agrícola. Através de boletos bancários encontrados junto com o material apreendido, a polícia afirma que a compra gire em torno de R$ 85 mil.



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