
mundial e os prejuízos são maiores para pequenas e médias empresas fabricantes de computadores de Ilhéus.
Dois vôos que viriam de Miami com mercadorias foram cancelados nesta semana, segundo informação do presidente do Sindicato das Indústrias do Pólo de Informática (Sinec), Gentil Pires. "Este é apenas um dos reflexos causados pela crise financeira e o dólar". Semanalmente, dois vôos fretados vindo do exterior trazem mercadorias para as fábricas do pólo, mas os da primeira semana de outubro ainda aguardam liberação na alfândega.
O presidente explica que a variação do dólar não deixa os empresários seguros para adquirir a mercadoria, paga de acordo com o valor do dia. “Os estoques das empresas estão acabando. É necessário que o governo adote medidas preventivas para aliviar a tensão”.
Gentil explica que a crise afeta todos os setores, mas quem trabalha com exportação é quem mais sente dificuldade para pegar crédito. As multinacionais têm solidez, ao contrário das médias e pequenas empresas, que precisam de crédito para circular a mercadoria.
“É necessário que o Banco Central e o Ministério da Fazenda apresentem alternativas para suavizar o impacto da crise, antes que as empresas que mais precisam sejam derrubadas. Reerguer é mais trabalhoso do que prevenir”.
Gentil informa que os empresários estão fazendo o que podem para evitar demissões ou repassar a alta para os produtos, já que o consumidor não é obrigado a comprar um aparelho que antes custava R$ 1 mil e hoje pode chegar a R$ 1.200,00, por exemplo.
O sindicalista defende que a suavização da crise deve acontecer com as medidas de liberação de crédito que o governo deve adotar. “Não nos resta alternativa senão esperar”.
Desconfiança
Paulo Machado, da Bitway, diz que a desconfiança mundial nos bancos, aliada a quebra de alguns dos norte americanos, causou um efeito dominó. Ele diz que a crise já se reflete no Brasil, atingindo diversos setores e o no Pólo de Informática ilheense.
Os reflexos são notados nas restrições de crédito e financiamento junto aos fornecedores, o que para o setor produtivo é difícil de contornar. “O crédito, quando cortado, dificulta a aquisição de insumos”.
Outro problema que ele aponta é a alta do dólar, que está desestabilizando totalmente o setor. “A maioria das empresas coloca a sua produção em varejistas. Poucas empresas vendem direto ao consumidor. Para os primeiros a situação fica ainda mais difícil”.
Paulo explica que a alta do dólar provoca a queda nas vendas, o que é ruim para todos porque a mercadoria tende a ficar encalhada nas distribuidoras. “Encaramos esta crise e a variação do dólar como um sério problema para o Pólo de informática”.
Paulo informa que a ‘suavização’ dos prejuízos não depende dos empresários. Estes já estão revendo suas políticas de compra e estoque, negociando com os fornecedores internacionais. A expectativa é de que a insegurança seja vencida.
Os governos, tanto os internacionais como o brasileiro, estão tentando conter a crise. O Banco Central tem colocado mais moeda à disposição, mas não há procura, não por parte das empresas, mas dos bancos, que estão receosos.




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