
O foragido é Humberto José da Rocha Braz, que não é visto desde terça-feira quando a Polícia Federal deu início à Operação Satiagraha. Humberto Braz mora em um prédio em Ipanema, Zona Sul do Rio. Ele é assessor do banqueiro Daniel Dantas, foi presidente da BT Participações, controladora da Brasil Telecom e agora foi acusado de corrupção ativa. Na portaria, há cinco dias, a informação é sempre a mesma: “ele não se encontra”. Humberto aparece em imagens gravadas pela Polícia Federal ao lado de Hugo Chicaroni. Hugo é o único dos 12 detidos pela operação de terça-feira que continua preso. Segundo a Policia Federal, nas conversas monitoradas, eles ofereceram um US$ 1 milhão a um delegado federal para interromper as investigações sobre o banqueiro Daniel Dantas e os parentes dele. O delegado, com autorização do juiz Fausto de Sanctis, fingiu aceitar. Parte do suborno chegou a ser paga. O restante da propina foi encontrado e apreendido no apartamento de Hugo Chicaroni na terça-feira: eram R$ 1,28 milhão em dinheiro vivo. Em depoimento à Policia Federal, Chicaroni confessou que recebeu R$ 865 mil de pessoas ligadas ao Grupo Opportunity. Ele garante que era parte da quantia a ser entregue ao delegado. As prisões foram feitas na terça-feira, 8 de julho. Mas já em 29 de maio, os envolvidos desconfiavam que pelo menos um deles estava sendo seguido. É onde entra um novo personagem, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, contratado por Daniel Dantas como consultor. Greenhalgh também chegou a ter a prisão pedida pela Policia Federal, mas o pedido foi negado pela Justiça. O inquérito inclui a transcrição de um telefonema de Greenhalgh para o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho. O ex-deputado queria saber se a Abin - Agência Brasileira de Inteligência estava seguindo Humberto Braz no Rio. Na conversa aparece o nome de Luiz Fernando, que seria o superintendente da Polícia Federal, Luis Fernando Correa. Segundo o monitoramento dos delegados, feita no dia 29 de maio, às 18h, esta foi a resposta de Gilberto Carvalho: Gilberto: O general me deu a resposta agora. É o seguinte: não há nenhuma pessoa designada na presidência na Abin, com esse nome. A placa do carro não existe, é fria, tá? Eles aqui acham que a única alternativa é que tenha sido caso de falsificarem documento, eles não consideram possível que seja da Abin. Eu não falei com o Luiz Fernando ainda, mas não tem jeito. A Polícia Federal não usa a PM, eles não se misturam de jeito nenhum, tá. Então eu acho que o mais provável é que o cara tava armando mesmo alguma coisa. Mas com documento falso, que também no Rio é muito comum, porque daqui não tem, eu pedi, insisti, fiz o máximo cuidado, tal. Greenhalgh: Seria bom dar um toque no Luiz Fernando também hein? Gilberto: Eu vou dar, eu vou dar. Amanhã cedo eu tenho que falar com ele, vou levantar isso daí também. Gilberto Carvalho não foi encontrado para comentar os diálogos. O Palácio do Planalto informou que ele está de férias. A assessoria de imprensa da Polícia Federal declarou que o diretor-geral do órgão, Luiz Fernando Corrêa, não foi procurado por Gilberto Carvalho para discutir qualquer investigação. O ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh não quis gravar entrevista e mandou uma nota para o Jornal Nacional em que se diz surpreso e afirma que agiu nos estritos limites da profissão de advogado. Greenhalgh declarou que todas as conversas que teve sobre o fato em questão foram absolutamente republicanas.




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