segunda-feira, 21 de julho de 2008

Pais denunciam a falta de professor e zelador


na escola municipal do Salobrinho, a única do bairro. Pais, alunos e moradores do bairro protestaram na quarta-feira, 16, na porta da escola. Não houve aula. Eles reivindicam a presença de professores nas nove salas, que estão sem funcionar desde o início do segundo semestre letivo porque os contratados foram demitidos e os substitutos ainda não apareceram.
Desde então os alunos estão sem aula nem perspectiva de quando os novos professores chegarão. Os manifestantes também denunciam que o zelador foi demitido e os alunos que estão tendo aula são obrigados a fazer a limpeza da escola. As turmas de 3ª, 4ª e 5ª série se revezam para fazer o serviço de limpeza depois do horário da aula e, com isso, chegam tarde em casa. O lixo fica depositado dentro da escola. Segundo Mônica Silva dos Anjos, mãe de um dos alunos, a escola está um “lixo total” e o banheiro, além de sujo, não tem iluminação há quatro meses. “Isto é um absurdo, eles querem usar os alunos para suavizar o problema da sujeira”. Mônica afirma que as crianças estão chegando em casa tarde porque “ficam limpando a escola” para o turno seguinte. “O governo federal paga a Bolsa-Família para evitar que as crianças trabalhem, como podemos explicar isso?”, questiona. Ela afirma que vai continuar protestando até que sejam resolvidos a falta de professor e zelador. “A coisa está tão feia que em reunião com a direção da escola a diretora afirmou que não sabia que o banheiro está sem iluminação há quatro meses”. Mais bronca A estudante do programa de alfabetização de jovens e adultos, Alexandra Silva de Souza, está na segunda série, e diz que está sem professor, pois a sua foi demitida no segundo semestre. “Nossa esperança é que venha logo um novo professor”. Segundo Alexandra, seu sobrinho, que estuda à tarde, tem chegado em casa bem depois das 17 horas porque a turma fica para a limpeza da sala enquanto um novo zelador não é contratado. O líder comunitário Vanderlei Santos Silva diz que o problema é antigo, pois o bairro só tem uma escola para atender a toda comunidade. Como não consegue atender a demanda, as salas são alugadas aleatoriamente e em locais separados para os alunos excedentes. “Estamos abandonados. O Banco da Vitória, que é menor, tem três escolas”. Vanderlei diz que o problema é uma “irresponsabilidade e falta de compromisso do poder público, porque os contratados foram demitidos e a prefeitura não substituiu pelos concursados”. Vanderlei afirma que o Salobrinho está abandonado em todos os aspectos, tem ruas com esgoto a céu aberto, falta médico no posto de saúde, 80% do bairro está às escuras. “Vamos continuar protestando, porque queremos educação digna e de qualidade”. A presidente da Associação de Professores Profissionais de Ilhéus (APPI), Enilda Mendonça, explica que as demissões ocorreram em massa porque a rede municipal de educação estava com 1.149 contratados. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado entre Ministério Público e prefeitura, previa a regularização de contratos, que não pode ultrapassar 20% do número dos efetivos e só em caso de extrema necessidade. O prazo para substituir os contratados pelos concursados findou em junho e a prefeitura, sob ameaça de pagar multa diária, não poderia mais adiar as demissões. Mas não se preparou para substituir por profissionais concursados. Enilda aponta a falta de professores e outros profissionais como “irresponsabilidade da atual gestão, já que a relação dos convocados saiu desde sábado, 12, e a posse ainda não foi efetivada”. A falta de professor não atinge apenas o Salobrinho, mas outros bairros da cidade, principalmente distritos e áreas mais distantes, como Pimenteira, Olivença, segundo o sindicato dos professores.

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